OS CANTOPÊS E AS FESTAS DO BREJO DAS ALMAS, por Enoque,Alves,Rodrigues - Clube de Autores
Março, 3, ano 1973. Quiçá, poucos se lembrem, mas, nesse dia, mês e ano, deu-se início aos festejos carnavalescos do Brejo das Almas.
O Brejo, por fim, inaugurava ali, naquela data, o seu primeiro Carnaval. O carnaval que poderia chamar de seu.
Portanto, Brejeiros, no próximo mês, faz-se exatos 53 anos do primeiro Carnaval do Brejo. Como é que eu sei disso? Simples, eu estava lá. Acompanhei tudo de perto. Contava 20 aninhos.
Tudo isso e muito mais você encontra no livro "Os Cantopês e as Festas do Brejo das Almas" que acabo de publicar e que dedico a todos vocês, Brejeiros, meus conterrâneos.
SINOPSE
Os Cantopês
e as Festas do Brejo das Almas é um livro de memória, identidade e pertencimento. Nele, o
autor conduz o leitor por uma travessia sensível pelo Brejo das Almas, no Norte
de Minas Gerais, resgatando o modo de viver, as crenças, as festas, os
encontros e a alma de um povo conhecido como cantopês.
Mais do que
um registro histórico, a obra é um testemunho humano. Cada capítulo revela
costumes transmitidos pela oralidade, a fé que sustentou gerações, as festas
religiosas e profanas que marcaram o calendário local, a música, a comida, a
infância livre, o respeito aos mais velhos e as transformações impostas pelo
tempo.
Com linguagem
acessível, afetiva e profundamente respeitosa, o livro preserva aquilo que
raramente aparece nos registros oficiais: a vida simples, a sabedoria popular,
o sentimento de comunidade e a resistência cultural diante do esquecimento.
Este não é apenas um livro sobre um lugar. É um livro sobre pessoas. Sobre raízes. Sobre aquilo que permanece vivo enquanto é lembrado. Uma obra dedicada a todos que vieram antes, aos que ainda estão e aos que um dia precisarão saber de onde vieram.
OS
CANTOPÊS E AS FESTAS DO BREJO DAS ALMAS
“Esta
obra foi escrita com o povo e para o povo.”
Memória, cultura e tradição do Brejo
das Almas, Francisco Sá (MG)
Enoque
Alves Rodrigues
CONCEITO
CENTRAL DO LIVRO
O livro
resgata:
- o termo “cantopês” como
identidade cultural do povo simples e resistente
- a memória oral do Brejo
das Almas
- todas as datas festivas,
religiosas e populares do Brejo das Almas, Francisco Sá
- costumes, causos, fé, música,
comida, folclore e modos de viver
Um livro memorialista,
com tom afetivo, histórico e narrativo — do jeito que o povo conta.
ESTRUTURA
GERAL
- 20 capítulos
- 115 páginas
- Linguagem acessível, poética e
documental
- Possibilidade de fotos antigas,
depoimentos e registros históricos
PREFÁCIO
Prefácio
Do Livro Os Cantopês E As Festas Do Brejo Das Almas
Falar dos
cantopês é falar de um Brasil profundo, que não cabe apenas nos livros
didáticos nem nos registros oficiais. É falar de um povo que aprendeu a
transformar a vida dura em canto, a fé em festa e a memória em tradição viva.
No Brejo das Almas, os cantopês não são apenas uma manifestação
cultural: são identidade, linguagem e herança.
Em cada
página deste livro Enoque Alves Rodrigues, historiador, pesquisador e
estudioso dos usos e costumes do povo do sertão do norte de Minas,
especialmente de seu Brejo das Almas, Francisco Sá, passeia com conhecimento,
cadência e leveza pelas ruas, vielas e rincões de um Brejo que sempre existirá.
Os cantopês surgem da oralidade, do convívio comunitário e da necessidade
humana de celebrar, agradecer e resistir. Não nasceram de palcos formais, mas
dos terreiros, das ruas de terra batida, das festas religiosas, das colheitas e
dos encontros coletivos. São cantos marcados pelo ritmo simples, repetitivo e
profundamente simbólico, que convidam à participação, ao coro e ao
pertencimento.
Mais do que
música, os cantopês são narrativa. Cada verso carrega fragmentos da história
local, ensinamentos passados de geração em geração, valores morais, devoções e
até críticas sutis ao cotidiano. Eles falam da fé, do trabalho, da esperança e
da luta — sempre com uma cadência que aproxima as pessoas e dissolve as
fronteiras entre quem canta e quem escuta.
As festas do
Brejo das Almas são o território natural dos cantopês. É nelas que a tradição
ganha corpo, som e movimento. Durante essas celebrações, o tempo parece
desacelerar. A rotina dá lugar ao ritual. As ruas se transformam em palco
coletivo, onde crianças, adultos e idosos compartilham o mesmo espaço
simbólico. Ali, o passado encontra o presente, e a memória deixa de ser
lembrança para se tornar experiência.
Essas festas
não se resumem ao entretenimento. Elas cumprem uma função social profunda:
reforçam laços comunitários, reafirmam identidades e mantêm viva uma cultura
que resiste à padronização imposta pela modernidade. Cada canto entoado é uma
afirmação de existência. Cada passo, um gesto de continuidade.
Os cantopês
também revelam a espiritualidade popular. Muitas vezes ligados a festejos
religiosos, eles misturam o sagrado e o profano de forma natural, sem conflito.
A fé se manifesta no canto, no ritmo e na repetição, criando um ambiente onde a
devoção não é silenciosa, mas celebrada em voz alta, com alegria e entrega.
Com o passar
do tempo, as transformações sociais, a migração e a influência da cultura
urbana colocaram essas tradições em risco. Ainda assim, os cantopês resistem —
sustentados pela memória dos mais velhos, pela curiosidade dos mais jovens e
pelo esforço de quem entende que preservar não é congelar, mas transmitir. Cada
festa realizada é um ato de resistência cultural.
Registrar os
cantopês e as festas do Brejo das Almas é, portanto, um compromisso com a
história que não está nos grandes centros, mas que sustenta a alma do país. É
reconhecer que a cultura popular não é atraso, mas raiz. Não é folclore morto,
mas vida pulsante.
Citação E
Fontes De Memória Oral
As informações, narrativas e reflexões apresentadas nesta obra foram construídas a partir da memória coletiva do povo cantopês, da tradição oral do Brejo das Almas, bem como de relatos históricos preservados ao longo das gerações. Este trabalho fundamenta-se especialmente nos registros, estudos e contribuições do historiador Enoque Alves Rodrigues, cuja dedicação à preservação da memória cultural e social da região norte-mineira constitui referência essencial para esta obra. Pesquisas e vivências compartilhadas por antigos moradores do Brejo, cujas contribuições ajudaram a manter vivas as histórias, as festas, os costumes e a identidade do povo do Brejo das Almas. Este livro reconhece que a memória não nasce apenas dos arquivos escritos, mas da palavra falada, da experiência vivida e da fidelidade à história daqueles que fizeram e fazem este lugar existir.
Palavras
Do Autor
Este livro
não nasce de um único arquivo, nem de um único olhar. Ele nasce do entrelaçamento
de vozes, da soma de lembranças, da persistência da memória coletiva e do
compromisso com a história vivida do povo cantopês.
As
informações aqui reunidas foram construídas a partir de fontes orais,
relatos familiares, vivências comunitárias, observações diretas e registros
preservados pela tradição do Brejo das Almas. Trata-se de uma memória
transmitida principalmente pela palavra falada — em conversas à porta, em
encontros de festa, em rezas, em causos repetidos ao longo do tempo.
A tradição
oral, muitas vezes negligenciada pelos registros oficiais, constitui neste
livro fonte legítima de conhecimento histórico e cultural. Ela guarda
não apenas fatos, mas sentidos, afetos, valores e modos de viver que os
documentos formais raramente alcançam.
Esta obra
reconhece e valoriza, de maneira especial, as contribuições do historiador Enoque
Alves Rodrigues, cujos estudos, escritos e dedicação à preservação da
memória regional foram fundamentais para a construção desta narrativa. Sua
atuação como pesquisador da história local e como guardião da cultura popular
norte-mineira serviu de base sólida para este trabalho.
Somam-se a
essa construção os relatos, registros e vivências compartilhadas por antigos
moradores do Brejo das Almas, cujas memórias pessoais e familiares contribuíram
significativamente para a preservação das histórias, festas, costumes e
tradições do Brejo das Almas. Suas vozes representam gerações que viveram,
testemunharam e mantiveram viva a identidade cantopês.
Este livro
assume, conscientemente, que a memória não é estática nem absoluta. Ela se
constrói na repetição, na escuta, na convivência e na confiança entre quem
conta e quem registra. Por isso, mais do que um inventário de datas ou eventos,
esta obra é um registro de pertencimento.
Ao reunir
essas fontes, o objetivo não foi fixar o passado como algo encerrado, mas preservá-lo
como herança viva, aberta ao diálogo, à continuidade e ao reconhecimento
das gerações futuras.
Enquanto
houver alguém disposto a lembrar,
a contar e a ouvir,
a memória do povo cantopês continuará existindo.
Enoque Alves Rodrigues

