quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

O Menino Brejeirinho do Catuni, das Barrancas do Rio Gorutuba

https://clubedeautores.com.br/livro/o-menino-brejeirinho-do-catuni-das-barrancas-do-rio-gorutuba

SINOPSE

O MENINO BREJEIRINHO DO CATUNI, DAS BARRANCAS DO RIO GORUTUBA

Filho de Rosalino e Idalina, cresceu entre peixes, remansos e brincadeiras nas águas claras da nascente do rio Gorutuba, no distrito de Catuni a poucos metros do rio.

Em 1961, o destino muda quando o grande fazendeiro Zeca Pereira, homem bom e respeitado do distrito de Cana Brava, o encontra à beira do rio e decide cuidar do seu futuro.

Promete fazer dele um doutor, um médico para o povo — promessa que cumpre.

Anos depois, Badú se torna médico renomado em Belo Horizonte, mas o coração permanece nas barrancas do rio.

Em cada retorno ao Brejo, reencontra o menino que foi, e o rio que nunca deixou de correr dentro dele.

É uma história de raízes, afeto e pertencimento — o retrato de um Brasil interiorano que vive na lembrança e na saudade.

Enoque Alves Rodrigues

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

CHICO XAVIER NO PROGRAMA PINGA-FOGO

 CHICO XAVIER NO PROGRAMA PINGA-FOGO

CHICO XAVIER NO PROGRAMA PINGA-FOGO

Fé, Razão e Espiritualidade diante do Brasil

Com o amado Chico no ano de 1975

Introdução:

Em uma noite que entrou para a história da televisão brasileira, Chico Xavier, o médium mais amado do Brasil, participou do programa Pinga-Fogo, trazendo à tona reflexões profundas sobre espiritualidade, ciência, ética, amor e perdão. Este livro narra, de forma detalhada e envolvente, os 20 capítulos que marcaram essa entrevista única, explorando não apenas suas respostas, mas a essência de sua vida dedicada ao serviço do próximo.

Entre relatos de humildade, silêncios que falam mais do que palavras e lições sobre a dor e a transformação do mundo, o leitor é conduzido a compreender que a verdadeira grandeza não está na fama ou nos fenômenos, mas na coerência entre pensamento, palavra e ação.

Com prefácio, dedicatória, agradecimentos e palavras finais do autor, esta obra apresenta uma oportunidade rara de refletir sobre a vida, o amor e a responsabilidade moral, inspirando gerações a viver com compaixão, ética e esperança.

 Prefácio

Este livro nasceu da necessidade de registrar um momento único da história brasileira, quando um médium humilde, porém extraordinariamente sábio, trouxe à tona temas de espiritualidade, ética e amor em rede nacional.

Chico Xavier no Pinga-Fogo não é apenas a história de um programa de televisão; é a história de como a coerência, a paciência e a bondade podem transformar corações e inspirar gerações.

Ao leitor, este livro oferece uma oportunidade de reflexão profunda, convidando-o a aprender com um homem cuja vida foi inteiramente dedicada ao serviço do próximo.

 Dedicatória

A todos que buscam viver com humildade, amor e ética, e à memória de Chico Xavier, cujo exemplo permanece como luz e guia para aqueles que desejam fazer o bem.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

BREJO DAS ALMAS - 88 ANOS SEM JACINTO

 

BREJO DAS ALMAS - 88 ANOS SEM JACINTO



*Enoque Alves Rodrigues

Brejo das Almas, 17h30m do dia 8 de janeiro de 1938. Com quase 67 anos, falecia, depois de padecer por doze anos do mal de Parkinson, no Brejo das Almas, ou Francisco Sá, distante 480 quilômetros da Capital Belo Horizonte, ao norte de Minas Gerais, Jacinto Alves da Silveira. Portanto, brejeiros, hoje, quinta-feira, oito de janeiro de 2026, o nosso Brejo completa 88 anos sem o seu fundador, ou principal responsável por sua emancipação político-administrativa.

A Parkinson é idiopática, ou seja, é uma enfermidade primária de causa obscura. Há deterioração e morte celular dos neurônios produtores de dopamina. É, por isso, uma doença degenerativa do sistema nervoso central, com início geralmente após os 50 anos de idade. É uma das patologias neurológicas mais frequentes visto que sua prevalência se situa entre 80 e 160 casos por cem mil habitantes, acometendo, aproximadamente, 1% dos indivíduos acima de 65 anos de idade. Apesar do muito que já se pesquisaram, decorridos quase duzentos anos do descobrimento desta gravíssima doença por James Parkinson, pouco ou quase nada se sabe sobre suas causas.

O fato é que, deve-se a ela, todas as consequências de doze anos de sofrimentos que vitimaram o grande e insubstituível benfeitor de nossa Cidade. Tudo começou quando ainda vereador em Montes Claros, quando lutava pela aprovação de mais um projeto que beneficiaria o Brejo. Ali ele sentiu as primeiras dores no dedo indicador da mão direita, que insistia em não obedecer aos seus comandos. Seu colega de partido, Antônio Ferreira de Oliveira, o Niquinho “Açúcar”, ou Farmacêutico, é quem conta com todos os detalhes, o início desse duradouro tormento, que, como já mencionei, doze anos depois ceifaria a vida do nosso mais ilustre Brejeiro.

Jacinto Alves da Silveira foi, até hoje, o único capaz de reunir todos os predicados que habilitam qualquer individuo a afirmar ter vivido a vida em toda a sua plenitude na prática do bem. Descendente de famílias de Ouro Preto, assim como os Pena, Oliveira, Dias, Xavier, entre outras, esta última pertencente à genealogia do grande Mártir da Inconfidência, o Tiradentes, Jacinto, um dos muitos filhos do velho Fazendeiro José Alves da Silveira com Antônia Joaquina da Luz, nasceu no Brejo, lá pelos idos de 1871, quando o Brejo sequer sonhava em ter as feições de hoje. Ao contrário, assemelhava-se, muito mais, ao longínquo dois de novembro de 1704, quando não passava de uma vasta mata às margens dos rios Verde Grande, São Domingos e Gorutuba, onde Antônio Gonçalves Figueira, dono de várias fazendas na região, fincou pela primeira vez, ao lado da Lagoa das Pedras, o imenso cruzeiro que marcaria para sempre, no tempo e no espaço, o início de uma nova era, de uma promissora civilização e de uma progressista Cidade, como o próprio Bandeirante profetizara. Jacinto, ao contrário de seus outros irmãos que eram todos Fazendeiros, desde a infância, apesar de rústico, já se revelava muito inteligente, quando lia, escrevia e realizava cálculos difíceis até mesmo para quem tinha a mais elevada cultura. Era, desde aqueles tempos, um iluminado, na mais clara e límpida definição do termo.

Bonito, com 1,80 de altura, bigodes aparados e bem fornidos, cabelos cortados à escovinha, trajando-se sempre de brim cáqui, o belo jovem Jacinto Silveira juntamente com outros peões, percorria, no lombo do cavalo, por estradas de chão batido a longa distância de 267 quilômetros conduzindo grandes manadas de gados de corte que eram vendidas na cidade de Curralinho, hoje, Corinto, situada ao norte de Minas Gerais. Com 24 anos conheceu e casou-se com a normalista Maria Luiza de Araújo, na velha Matriz de Montes Claros, no dia 16 de novembro de 1895. Maria Luiza, ou dona Mariquinha, foi durante toda a vida, sua fiel e inseparável companheira, a qual foi responsável pela condução dos destinos do povo brejeiro no campo da educação e cultura, enquanto Jacinto preparava esse mesmo povo na política e principalmente para a emancipação administrativa do Brejo, que ocorreria em 1923-24. Juntos, tiveram nove filhos. Foi o primeiro presidente da primeira legislatura municipal brejeira, 1924-1930, que era composta pelos seguintes vereadores: Padre Augusto Prudêncio da Silva, Francisco Fernandes de Oliveira, José Dias Pereira Zeca, João de Deus Dias de Farias e Rogério da Costa Negro, este último, um grande comerciante do ramo de tecidos, fazendeiro e juiz de paz.

Lutador incansável pelos direitos de seu povo, íntegro, transparente, correto em todas as suas atitudes, honesto até a medula, numa época em que a mosca varejeira sequer sonhava sobrevoar o mundo da política, Jacinto Silveira conduzia os destinos do povo Brejeiro pelos caminhos da retidão e do porvir, assim como Moisés, do Egito, conduzia seu povo rumo à Terra Prometida. Jamais perdeu uma só eleição. O Brejeiro daqueles tempos sabia reconhecer os valores inalienáveis daquele homem e o tinha como a um verdadeiro Líder. E como tal se comportava: respeitador e cerimonioso, de falar pausado, olhava sempre nos olhos do interlocutor, por mais simples que fosse, nunca interrompia quando o outro se pronunciava. Firme e assertivo, sempre expressou o seu pensamento. Nunca se utilizou de meias palavras. Era homem de posições claras e definidas. Benevolente e despojado, servia a todos com amor sem pedir nada em troca. Disciplinado, sabia ser enérgico sem ser jactante. Muitos foram os Governadores de Estado que utilizaram o prestígio de Jacinto. A palavra dele era uma ordem e nela todo e qualquer Brejeiro acreditava cegamente porque Jacinto nunca deixou de cumpri-la.

Rico, dono de várias fazendas de gado e cultivo, casas comerciais e muitas outras fontes de renda, Jacinto Alves da Silveira, homem que durante toda a existência sempre teve a casa cheia de amigos e correligionários, que sem nenhum apego às

coisas materiais, ajudava, com recursos pessoais a todos, brejeiros ou não; bancava, do próprio bolso, inúmeros candidatos em campanhas eleitorais caríssimas. Depois de ter custeado a emancipação do Brejo das Almas, tendo inclusive doado prédios de sua propriedade para comporem a Sede Administrativa e o conjunto arquitetônico do Município, condição esta indispensável a sua homologação, já no final da vida, corroído pela enfermidade degenerativa, ainda era obrigado a arrastar-se de sua casa até a Prefeitura, onde dava expedientes, deixando-nos o belo exemplo de que é no trabalho que nós realizamos e enobrecemos. Morreu, no entanto, pobre, mas digno e praticamente só, tendo a seu lado apenas os familiares.

Não é sem motivo que um de seus filhos, o também Coronel Geraldo Tito da Silveira, assim se expressa em um de seus lindos libelos, referindo-se as indiferenças das quais fora vítima o pai: “Nos áureos tempos de sua vida abastada, quando ele plantava as sementes de uma pequena fortuna, depois esbanjada nos ardores da política, feita somente para o bem-estar de outrem, sua casa solarenga vivia repleta de “amigos”. Até então, não se via pela estrada real, que ia dar à Bahia, uma só pousada ou hospedaria, de modo que os forasteiros que por ali passavam procuravam a casa do Coronel Jacinto, onde recebiam todo o conforto, gratuitamente. Muitas dessas pessoas eram acometidas de terríveis pestes inclusive febre brava!”.

E arremata o grande escritor do Norte de Minas, Geraldo Tito da Silveira, agora lamentando mais uma grande injustiça com a qual brindaram o pai. Aliás, muito já falei sobre tal injustiça que espero um dia, quiçá nessa atual encarnação ver corrigida: “Como corolário da ingratidão dos homens, mudaram o nome de Brejo das Almas, não para perpetuar o nome de Jacinto Silveira, na terra que engrandecera, mas para honrar o nome de outro Brasileiro, ilustre, é verdade, mas que nada fizera por ela.”. Refere-se ao Doutor Francisco Sá, (1862-1936), nascido na fazenda Brejo de Santo André, que naqueles tempos pertencia ao Município de Grão Mogol e que foi Ministro da Viação e levou a Estrada de Ferro Central do Brasil até Montes Claros, que muito lhe deve.

Estou certo de que a data de hoje, 08 de janeiro de 2026, será lembrada com muitas e   justas homenagens, do nosso povo brejeiro, do mais simples ao mais importante, especialmente pela numerosa descendência de nossos queridos e dignos Silveiras do Brejo das Almas, àquele que não mediu esforços para que o Brejo seguisse seu curso rumo ao porvir atual. Visionário, brilhante, muito à frente do seu tempo que, do alpendre de seu casarão solarengo observava, lá embaixo, aquele pequeno e diminuto amontoado de pequenos casebres, que pouco ou quase nada prenunciava de uma cidade progressista, mas que ele, ali, sozinho, vaticinava com a visão inequívoca dos sábios: Farei tudo que puder por este povoado! Enquanto eu, forças e vida tiver, lutarei pela nossa terra, pela nossa gente, pois estou convicto de que isto aqui será um grande e promissor lugar.

Apesar dos muitos percalços percorridos desde aquele solitário prognóstico de Jacinto até os dias de hoje, mesmo cientes de que o Brejo poderia estar melhor colocado no ranking merecido das grandes cidades que oportunizam condições básicas aos seus locais, propiciando-lhes emprego, saúde, educação e bem-estar dignos de retê-los à essa terra abençoada, temos que admitir, com muito prazer, brejeiros ou não, que a nossa cidade, que o nosso Brejo, que Francisco Sá mudou muito, e para melhor. Valeu muito á pena toda a luta e esforço do nosso fundador. Ele acertou.

Portanto, brejeiros, meus conterrâneos, Jacinto Alves da Silveira foi, é e continua sendo o maior de todos. Ninguém, até aqui, além dele, deu maior prova de amor ao brejo. Ele deu tudo de si, tudo que tinha, até a própria vida, para que o Brejo das Almas ou Francisco Sá figurasse no mapa de Minas e do Brasil, como o Município importante que hoje é.

Depois de permanecer por longo tempo na erraticidade (sou católico espírita, acredito piamente nisso), acha-se, atualmente, no meio de nós. Não dentro da política que, convenhamos, mudou muito, e para pior. Servidor nato e dedicado que jamais fugiu à luta, não obstante toda a ingratidão que recebeu, acreditem céticos de plantão: Se hoje fosse feita uma “chamada oral”, dessas que se fazem nas escolas e nos quartéis, convocando homens de bem a colaborarem com qualquer causa que tivesse por objetivo o bem comum, a justiça social, a luta contra as desigualdades dos menos favorecidos, alguém, digno, decente, probo e humano em quem, todos nós, brejeiros ou não, pudéssemos confiar e nos espelhar, ao bradarem o nome “Jacinto Alves da Silveira...!”, com toda certeza ouviríamos, prontamente, em algum lugar do Brasil, ou, quiçá, do próprio Brejo das Almas que ele tanto amou, a voz firme, forte e determinada do coronel, guerreiro imbatível, humano, e grande líder.

“Presente... Eis-me aqui!”.

 Nota:

É público que não vivo no Brejo há muitos anos. Talvez por isso algum conterrâneo possa imaginar que este meu fascínio pelo Brejo seja por que não vivo nele. Ledo, compreensível e perdoável engano. Sai do brejo com 21 anos. Foram 21 anos de amor intenso a essa terra abençoada que me serviu de berço. Respirei todos os seus ares. Todos os seus cantopês. Todos os seus carnavais, aliás, saí do Brejo depois do carnaval de 1973. Março. Rua Montes Claros. Desfile. Mestre Boca. Porta bandeira ainda menina. Presenciei a tudo isso porque eu lá estava. Absorvi todas as suas brisas quentes vindas do Mocó. Seus ventos uivantes que me tocavam à pele áspera eram recebidos como bálsamos. Amassei todos os barros de todas as poças da Vila Vieira. Até a poeira da “federal” eu inalei com amor. Distante, jamais sai daí. Aliás, foi de longe que aprendi a amar muito mais o Brejo. Sem contar as muitas vezes que aí estive, anonimamente, só para saborear seus ares e recarregar as baterias. Talvez nem mesmo as mais de duas mil crônicas que escrevi sobre o Brejo sejam capazes de exteriorizar este meu amor.

E tenho dito.

*O autor nasceu no Brejo das Almas, Francisco Sá, Minas Gerais, Brasil.

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

SINOPSE DO LIVRO "FATOS E PERSONAGENS DO ANTIGO BREJO DAS ALMAS"


 FATOS E PERSONAGENS DO ANTIGO BREJO DAS ALMAS, por Enoque;Alves;Rodrigues - Clube de Autores

Alô Brejeiros, meus conterrâneos!!!

Acabo de realizar tarde memorável de autografos do meu mais recente livro "Fatos e Personagens do Antigo Brejo das Almas". Foi um verdadeiro sucesso!!!

Muitos me perguntam qual foi a minha sensação ao escrever este livro, quando tive de revisitar e resgatar 

no recôndito da memória, acontecimentos que muitos movimentaram a vida de nosso velho Brejo das Almas, Francisco Sá, ao norte das Minas Gerais, sertão onde eu, orgulhosamente nasci.

Foi, deveras, emocionante o meu reencontro com antigos personagens que fizeram parte da minha infância. É claro que nem todos eu tive o prazer de conhecer. Com os mais antigos, meus extemporâneos, os que chegaram antes de mim, travei conhecimento através de meu saudoso avô, o Sr. Liberato.

Aqui, neste meu espaço, vai uma sinopse do livro.

INTRODUÇÃO

Fatos e Personagens do Antigo Brejo das Almas nos convidam a mergulhar em um universo repleto de histórias e figuras que compõem a rica tapeçaria cultural de uma região única. Situada ao norte de Minas Gerais, marcado por transformações sociais, econômicas e políticas, Brejo das Almas, ou Francisco Sá, serve como cenário para narrativas que transcendem o tempo e o espaço.

Contexto Histórico

O Antigo Brejo das Almas é uma localidade que, ao longo dos anos, passou por diversas fases de desenvolvimento, desde sua fundação até os dias atuais. Este livro busca explorar as camadas históricas que moldaram a identidade do lugar, proporcionando ao leitor uma compreensão aprofundada sobre como eventos passados influenciam o presente.

Personagens Notáveis

Ao longo das páginas, encontramos personagens marcantes cujas vidas e feitos são entrelaçados com a história da região. Desde líderes políticos, como Jacinto Silveira, entre outros, até figuras anônimas que deixaram uma marca indelével, cada pessoa mencionada contribui para um mosaico de experiências humanas que enriquece a narrativa do Brejo das Almas.

Temas e Narrativas

Os temas abordados incluem a luta pela liberdade, a preservação da cultura local, belezas naturais e as mudanças econômicas que afetaram a região. As narrativas são cuidadosamente selecionadas para apresentar um panorama diversificado e autêntico dos acontecimentos e das pessoas que ajudaram a moldar este espaço





segunda-feira, 9 de dezembro de 2024

LIVROS LANÇADOS EM DEZEMBRO-24 ENOQUE ALVES RODRIGUES

Lançados pelo Clube de Autores do Brasil

https://clubedeautores.com.br/books/search?where=books&what=enoque+alves+rodrigues


CRÔNICAS E CONTOS DO LADO DE LÁ, por ENOQUE ALVES RODRIGUES - Clube de Autores


 O eterno Brejeiro, Enoque Alves Rodrigues acaba de lançar mais dois livros. Estão bombando nas melhores Livrarias do Brasil, Espanha e Portugal. Seguem links:



LIÇÕES E EXEMPLOS DE OTIMISMO E MOTIVAÇÃO , por Enoque Alves Rodrigues - Clube de Autores


Um abraço, brejeiros.










sábado, 10 de outubro de 2015

O BREJO E SUA GENTE X - FELICIANO OLIVEIRA



O BREJO E SUA GENTE X – FELICIANO OLIVEIRA

*Enoque Alves Rodrigues

O conteúdo físico que possuo sobre Feliciano Oliveira, resultado de pesquisas insones dos velhos tempos em que “ainda se compulsavam livros”, é tão robusto que mesmo tendo deixado para referi-lo por ultimo, nesta série com a qual considero finalizada minha modesta colaboração ao povo de minha terra, ainda tive de reduzir para não exceder as 1240 palavras deste espaço e não ofuscar personalidades anteriormente mencionadas de igual importância para a nossa cidade de Brejo das Almas ou Francisco Sá. Filho do fazendeiro e político de renomada liderança local da UDN, Lauro Oliveira, Feliciano nasceu no Município de Brejo das Almas onde iniciou sua longa vida pública a qual sempre esteve voltada para a qualidade. Ao contrário de alguns que o antecederam na Prefeitura do Brejo, assim como de uma boa parcela de seus contemporâneos, Feliciano sempre foi de fidelizar a excelência em todas as suas realizações. 

Menino, ainda, colaborava com o pai na administração da produtiva fazenda quando já sonhava ter em mãos ás rédeas dos destinos do Município de Francisco Sá. Com doze anos, a contragosto, foi enviado para estudar em Montes Claros e Depois Belo Horizonte, retornando ao Brejo depois de concluir seus estudos. Determinado a seguir carreira na politica, estabeleceu como Quartel General a própria fazenda do pai. Dali ele disparava petardos á políticos de renome e farta projeção local informando sobre sua intenção de se candidatar a algum cargo eletivo por onde certamente conseguiria ser útil a sua Cidadezinha de Brejo das Almas que amava. Feliciano, assim como a maioria de nós, Brejeiros, era um eterno inconformado com certos privilégios que outras cidades vizinhas tinham em detrimento de nosso Brejo das Almas ou Francisco Sá. 

De seu posto de observação na fazenda encravada entre as montanhas Brejeiras refletia e matutava, com inquietude juvenil, o quanto a Política Social havia sido cruel para com sua terra e sua gente. De vida simples, mas abastada com aquilo que a terra mãe produzia, não conseguia entender e aceitar passivamente os motivos pelos quais poucos tinham tanto enquanto muitos não tinham nada. De onde, meu Deus, havia brotado tanta miséria?

- “Prefeito Feliciano, o senhor só vai conseguir ajudar a sua cidade e o seu povo se for um excelente prefeito. O Brejo das Almas já teve muitos prefeitos bons anteriores ao senhor e veja, entretanto, onde ainda estamos...” Sonhava!

- “Deputado Feliciano, se o senhor não mudar sua forma de legislar revendo este seu pendor para com os pobres vai ser muito difícil ver aprovado algum projeto seu...” Seguia sonhando!

Feliciano sabia de antemão o quão infrutíferas seriam quaisquer tentativas suas em busca da concretização do sonho de ser prefeito de Francisco Sá sem bases políticas e plataformas sólidas de preferência lastreadas no seio das mais tradicionais famílias do Brejo cuja militância politico administrativa de resultados positivos já se encontrava inquestionavelmente solidificadas desde a fundação do lugar. E disparava os seus petardos em forma de bilhetinhos os quais eram endereçados aquelas famílias que, no entanto, relutavam em aceita-lo. Quando, finalmente, conseguiu romper a resistência ao seu nome no seio dos “Dias”, “Pereira”, “Penna” etc., soube que o mesmo não fruía de receptividade fácil entre os “Silveira”. Ele tinha pedigree no sangue, pois o pai era político, mas nenhuma tradição ou experiência que o identificassem com os anseios da maioria. Necessitavam, ali, de alguém com mais cabedal de conhecimento e comprovada eficácia administrativa. As dificuldades e mazelas do Brejo exigiam muito mais que um jovem idealista e sonhador. A história dá como tutor político de Feliciano certo cônego de nome Sebastião. Mas como veremos mais adiante, ele apenas o iniciou nesta arte, abrindo-lhe ás portas ao utilizar-se de seu valioso carisma e prestigio com os quais lhe apresentou junto aos “Silveira”. Tutor do jovem Feliciano mesmo foi o grande Enéas Mineiro de Sousa, pois, uma vez convencido dos reais propósitos de Feliciano, não mediu esforços no sentido de ajuda-lo a torna-los realidade.

Orador eloquente, capaz de levar ás lágrimas multidões de pessoas, muito bem articulado, pausado no falar, cuidadoso com as palavras e convincente, aos poucos Feliciano conseguiu conquistar a confiança de todos inclusive do próprio Enéas Mineiro, uma sólida e poderosa liderança local que, apenas para prestigiar Feliciano, cedeu-lhe a “cabeça de chapa” numa demonstração de humildade, generosidade, desapego e grandeza do Capitão, que naquele pleito eleitoral se candidatou a vice-prefeito de Feliciano, tendo ele, Enéas, puxado quase todos os votos que elegeria vitoriosa aquela chapa: Feliciano Oliveira finalmente sagrava-se Prefeito de Francisco Sá (1947-1950) com expressiva votação e o mais importante: o seu vice era ninguém menos que o homem mais poderoso da região, um corajoso e destemido desbravador e empreendedor nato oriundo do nordeste do Brasil tendo de lá saído pobre para trabalhar duro e fazer fortuna no norte de Minas: Enéas Mineiro de Sousa.

O jovem Feliciano tinha boa vontade e coragem para realizar, mas não tinha experiência e nem sempre sabia como fazer. Nos momentos de insegurança e incerteza o capitão lhe dizia: “vai, moço. Faça a sua parte. Coloque sempre á sua frente os nobres ideais que o motivaram e trouxeram até aqui que eu me encarrego de concretizá-los junto com você!”.

Dito e feito.

Realizaram uma excelente e profícua administração na Prefeitura Brejalmina.

No pleito seguinte encontramos Feliciano Oliveira retribuindo ao seu benfeitor a mesma gentileza de outrora. Agora era o próprio Feliciano, experiente e realizador, o vice de outro iniciante na Política, mas imbuído de desejos de mudanças, filho de Enéas, de nome Pedro Mineiro de Sousa (1951-1954). Como da vez anterior, e como não podia deixar de ser, aquela dobradinha reversa conseguiu ser igual ou ligeiramente melhor que a anterior. Obras importantíssimas saíram do papel, materializando-se em benefício da população. Diziam as “boas línguas brejeiras” que administração igual àquela só a do “doutor Jardim.”. Não obstante não ter sido contemporâneo dessas administrações (tinha eu somente um ano em 1954), conheço-as muito bem pelos escritos que li, e, principalmente, pelo que me falava o meu saudoso avô que tinha o vezo de comparar gestões passadas.

As administrações bem-sucedidas de Feliciano Oliveira frente á Prefeitura de Francisco Sá, quer como Prefeito ou vice, proporcionaram ao nosso Município grandes saltos de qualidade rumo ao progresso célere e eficaz guardada as devidas proporções de morosidade das coisas, feitos e fatos inerentes á época. Tanto é verdade que foram suficientes para que Feliciano Oliveira, uma vez mais, ou seja, consecutivamente, aliás, acontecimento este inédito até os dias atuais, conseguisse se reeleger Prefeito de Francisco Sá com excelente votação nos pleitos de 1954 (final de seu mandato de vice), para o próximo período de 1955-1958. Tinha ele neste quadriênio administrativo como seu Vice um gigante e competente homem público, filho de Jacinto, orgulho das Alterosas.

Mais uma vez grandes metas foram batidas e índices de qualidade de vida antes inatingíveis fizeram-se presentes. Feliciano consolidava na Prefeitura do Brejo das Almas os seus sonhos de menino. O ótimo trabalho, a experiência, o reconhecimento e o respeito políticos conquistados lhes credenciavam, certamente, a alçar voos mais altos por outras plagas muito além das fronteiras de seu querido Brejo das Almas. Ali ele poderia multiplicar por milhares os beneficiários de sua luta e empenho em prol dos mais carentes não somente em seu torrão natal.

Foi exatamente o que ele fez. Diga-se, com muito sucesso!

E tenho dito.

*Enoque Alves Rodrigues é Brejeiro.
 Praça Jacinto Silveira no Centro de Francisco Sá - Orgulho em Ser Brejeiro