quarta-feira, 8 de julho de 2026

MEMÓRIA BREJEIRA - JOÃO BAWDEN - PREFEITOS BREJEIROS DE ANTIGAMENTE, SÉRIE I

Meu Espaço - Clube de Autores

 

João Bawden – O Prefeito que Modernizou o Brejo das Almas

 Série:
Prefeitos Brejeiros de Antigamente – Volume I

Coleção:
Memória Brejeira – História Documentada de Francisco Sá

FICHA TÉCNICA

Título:
João Bawden – O Prefeito que Modernizou o Brejo das Almas

Série:
Prefeitos Brejeiros de Antigamente – Volume I

Coleção:
Memória Brejeira – História Documentada de Francisco Sá

Autor:
Enoque Alves Rodrigues

Pesquisa Histórica:
Enoque Alves Rodrigues

Texto e Organização:
Enoque Alves Rodrigues

Projeto Editorial:
Enoque Alves Rodrigues

Projeto Gráfico e Capa:
Enoque Alves Rodrigues

Revisão:
Alcaminos Revisores Gráficos

Formato:
14,8 × 21 cm

Número de páginas:
201

Idioma:
Português

Gênero:
História Regional / Biografia / Memória

1ª Edição:
2026

Local de publicação:
São Paulo – SP

ISBN:

Todos os direitos reservados.

Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida, armazenada ou transmitida por qualquer meio, eletrônico ou mecânico, sem autorização prévia e por escrito do autor, excetuadas as citações permitidas pela legislação vigente.

© 2026 – Enoque Alves Rodrigues

SUMÁRIO

APRESENTAÇÃO DA OBRA,8 A 11

ACERVOS, FONTES E DOCUMENTOS PESQUISADOS, 12 A 16

PREFÁCIO, 17 E 18

SINOPSE, 19 E 20

SOBRE O AUTOR, 21 A 23

SÍNTESE BIOGRÁFICA DO DR. JOÃO BAWDEN, 24 A 29

ABERTURA: EXISTEM CIDADES QUE JAMAIS PODEM ESQUECER, 30 A 36

CAPÍTULO I

O BRASIL QUE ENCONTROU JOÃO BAWDEN, 37 A 53

CAPÍTULO II

A FAMÍLIA QUE MOLDOU UM HOMEM PÚBLICO, 54 A 59

CAPÍTULO III

A ESCOLA DE MINAS, 60 A 73

CAPÍTULO IV

O ENGENHEIRO DAS ESTRADAS, 74 A 88

CAPÍTULO V

O HOMEM QUE VEIO DE PASSAGEM, 89 A 97

CAPÍTULO VI

O CHAMADO DO DESTINO, 100 A 106

CAPÍTULO VII

O PRIMEIRO DIA DE GOVERNO, 107 A 120

CAPÍTULO VIII

A CIDADE QUE PRECISAVA SE MODERNIZAR, 121 A 126

CAPÍTULO IX

AS ESTRADAS, 127 A 134

CAPÍTULO X

A EDUCAÇÃO COMO ALICERCE DO PROGRESSO, 135 A 141

CAPÍTULO XI

O URBANISTA DO BREJO, 142 A 148

CAPÍTULO XII

O PREFEITO QUE O BREJO ESCOLHEU, 149 A 151

PRÓLOGO, 152 A 164

CARTA AOS FUTUROS BREJEIROS, 165 A 170

ÚLTIMA PÁGINA, 171 A 173

CURIOSIDADE HISTÓRICA, 174

NOTAS BIOGRÁFICAS ADICIONAIS:

NOTA 1 - BREJO DAS ALMAS ÀS VÉSPERAS DE UMA NOVA ERA. NOTA 2 - DAS MINAS IMPERIAIS AO SERTÃO NORTE-MINEIRO, 175 A 188

ÁLBUM FOTOGRÁFICO, 189 A 193

FICHA CATALOGRÁFICA DA COLEÇÃO BREJO DAS ALMAS, 194 A 201

APRESENTAÇÃO DA OBRA

Há muito tempo venho pensando em escrever este livro.

Na verdade, talvez eu o esteja escrevendo desde menino.

Nasci quando o antigo Brejo das Almas ainda conservava muito de sua velha alma sertaneja. Cresci ouvindo histórias contadas nas calçadas, nas varandas das fazendas, nos bancos da praça e nas rodas de conversa que pareciam nunca ter fim. Naquele tempo, as pessoas não aprendiam a história da cidade nos livros. Aprendiam ouvindo os mais velhos.

Foi assim que conheci muitos dos personagens que marcaram a vida do Brejo.

Uns já haviam partido.

Outros ainda caminhavam lentamente pelas ruas, trazendo consigo lembranças que nenhum documento registrava.

Cada conversa revelava um pedaço da história.

Cada lembrança ajudava a compreender melhor quem éramos.

Com o passar dos anos, percebi que aquela geração começava a desaparecer.

Levava consigo um patrimônio imenso.

A memória do Brejo.

Foi então que compreendi uma verdade simples.

Se ninguém escrevesse essas histórias, elas morreriam junto com aqueles que as guardavam.

Nascia ali, talvez sem que eu percebesse, o compromisso que me acompanharia durante toda a vida.

Pesquisar.

Ouvir.

Comparar documentos.

Consultar jornais antigos.

Visitar arquivos.

Conversar com famílias.

Anotar nomes.

Confirmar datas.

Preservar aquilo que o tempo insistia em apagar.

Depois de muitos anos de pesquisa, compreendi que a história de uma cidade não é feita apenas pelos grandes acontecimentos.

Ela é construída, sobretudo, pelas pessoas.

Homens e mulheres que dedicaram parte de suas vidas ao bem comum.

Entre esses homens, poucos deixaram marcas tão profundas quanto João Bawden.

Engenheiro por formação.

Administrador por vocação.

Mineiro de nascimento.

Brejeiro por escolha.

Ao escrever sua biografia, descobri que também estava escrevendo a história de uma época.

A história de um município que aprendia a organizar suas ruas.

A cuidar de suas escolas.

A conservar suas estradas.

A modernizar seus serviços públicos.

A construir seu futuro.

Este livro nasceu desse encontro entre memória e pesquisa.

Não pretende transformar ninguém em herói.

Nem esconder as dificuldades de seu tempo.

Pretende apenas contar, com honestidade, como viveu um homem que escolheu dedicar seus melhores anos ao antigo Brejo das Almas.

Se estas páginas conseguirem despertar no leitor o mesmo amor que sinto por esta terra, considerarei plenamente cumprida a missão deste trabalho.

Porque cidades também têm alma.

E a alma de Francisco Sá continua habitando o velho Brejo das Almas.

ACERVOS, FONTES E DOCUMENTOS PESQUISADOS

A elaboração desta obra fundamentou-se na pesquisa e no cruzamento de informações provenientes de diferentes acervos documentais, bibliográficos, iconográficos, jornalísticos e de memória oral, com o objetivo de preservar a fidelidade histórica e oferecer ao leitor uma narrativa consistente sobre a vida e a administração do prefeito João Bawden Teixeira.

Arquivos Públicos e Instituições de Pesquisa

  • Arquivo Público Mineiro – Belo Horizonte, Minas Gerais.
  • Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Mariana – Mariana, Minas Gerais.
  • Arquivo Histórico da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP).
  • Arquivo Histórico da Prefeitura Municipal de Mariana.
  • Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais (IHGMG).
  • Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa – Belo Horizonte.
  • Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.
  • Arquivo Nacional.

Acervos Municipais

  • Prefeitura Municipal de Francisco Sá.
  • Câmara Municipal de Francisco Sá.
  • Arquivo Administrativo do Município de Francisco Sá.
  • Cartório de Registro Civil e Tabelionato de Francisco Sá.
  • Paróquia São Gonçalo de Francisco Sá.
  • Cemitérios e registros paroquiais do antigo Brejo das Almas.

Jornais e Periódicos Consultados

  • Liberal Mineiro (Ouro Preto).
  • Minas Geraes (Órgão Oficial do Estado).
  • Jornais históricos de Mariana.
  • Jornais históricos de Montes Claros.
  • Revistas do Arquivo Público Mineiro.
  • Revistas do Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais.

Bibliografia Histórica

Foram consultadas obras relativas à história de Minas Gerais, da República Velha, da Revolução de 1930, do Estado Novo, da formação política do Norte de Minas, da engenharia brasileira e da administração pública municipal.

Fontes Digitais

Também foram consultados bancos de dados, repositórios universitários, catálogos documentais e bases digitais de pesquisa histórica, entre eles:

  • Repositório Institucional da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), especialmente estudos sobre a história política de Mariana.
  • Sistema Integrado de Acesso do Arquivo Público Mineiro (SIAAPM), para identificação de documentos e correspondências relativas a João Bawden Teixeira.
  • Acervos históricos vinculados à Universidade Federal de Ouro Preto e à documentação da antiga Câmara de Mariana.

Fontes Orais

A presente obra também incorpora informações preservadas pela tradição oral do antigo Brejo das Almas, colhidas ao longo de décadas de entrevistas e conversas com moradores, descendentes de famílias tradicionais e estudiosos da história local. Sempre que possível, essas narrativas foram confrontadas com documentos escritos, respeitando-se a distinção entre fatos documentalmente comprovados e memórias transmitidas entre gerações.

Pesquisa do Autor

Grande parte das informações aqui reunidas resulta de mais de cinco décadas de pesquisas desenvolvidas por Enoque Alves Rodrigues, por meio da coleta de documentos, fotografias, jornais antigos, manuscritos, depoimentos, registros familiares e estudos sobre a formação histórica, política e cultural do antigo Brejo das Almas, atual Francisco Sá.

Esta obra integra a coleção Memória Brejeira – História Documentada de Francisco Sá, cujo propósito é preservar, documentar e difundir a memória histórica do município e de seus protagonistas para as presentes e futuras gerações.

 PREFÁCIO

A história de um povo é construída não apenas pelos grandes acontecimentos nacionais, mas também pela atuação daqueles que, em suas comunidades, dedicaram inteligência, trabalho e espírito público ao bem comum. João Bawden pertence a esse seleto grupo de homens cuja passagem pela administração municipal deixou marcas profundas e permanentes.

Neste primeiro volume da série Prefeitos Brejeiros de Antigamente, Enoque Alves Rodrigues oferece ao leitor um criterioso resgate histórico da vida e da obra de um administrador cuja trajetória se confunde com uma das fases mais importantes do desenvolvimento do antigo Brejo das Almas.

Ao reunir fatos, documentos, relatos e reflexões, o autor preserva uma memória que poderia se perder com o tempo, prestando justa homenagem a um homem que transformou desafios em realizações e conquistou o respeito da população por sua integridade e capacidade administrativa.

Mais do que recordar um prefeito, esta obra convida o leitor a compreender a formação histórica de Francisco Sá e a valorizar aqueles que contribuíram para a construção de sua identidade.

Eliomar de Oliveira Cavalcante

 SINOPSE

JOÃO BAWDEN – O Prefeito que Transformou o Brejo das Almas é o primeiro volume da série Prefeitos Brejeiros de Antigamente, dedicada a preservar a memória dos homens públicos que contribuíram para a construção da história de Francisco Sá, antigo Brejo das Almas.

Muito além de uma simples biografia, esta obra resgata a trajetória de um engenheiro, político e administrador que encontrou no pequeno município sertanejo a missão de sua vida. Oriundo de uma tradicional família mineira, João Bawden chegou ao Brejo quase por acaso, durante trabalhos de engenharia, mas ali permaneceu por amor à terra e ao seu povo.

Em poucos anos promoveu importantes transformações urbanas, reorganizou a administração municipal, investiu na infraestrutura, valorizou a educação e conquistou o respeito da população pela honestidade, simplicidade e dedicação ao serviço público.

Baseado em pesquisas, documentos e relatos históricos, Enoque Alves Rodrigues reconstrói a vida de um dos mais importantes prefeitos da história do município, oferecendo às novas gerações um valioso testemunho sobre a formação política e social do Norte de Minas.

Uma leitura indispensável para todos aqueles que desejam conhecer as raízes de Francisco Sá e compreender como homens de visão ajudaram a escrever a história do antigo Brejo das Almas.

 SOBRE O AUTOR

Enoque Alves Rodrigues é escritor, pesquisador, cronista e memorialista brasileiro, dedicado há mais de cinco décadas ao estudo da história, da cultura e da formação social do antigo Brejo das Almas, atual Francisco Sá, no Norte de Minas Gerais.

Natural de Francisco Sá, desenvolveu ao longo da vida um profundo trabalho de pesquisa documental e de preservação da memória regional, reunindo informações provenientes de arquivos públicos, jornais antigos, documentos históricos, fotografias, depoimentos e tradições orais. Seu compromisso com a verdade histórica e com a valorização das raízes brejeiras transformou-o em uma das principais referências na documentação da história do município.

Além de pesquisador, construiu uma sólida carreira profissional nas áreas de engenharia, logística, administração de materiais e gestão de estoques, experiência que serviu de base para diversos livros técnicos e de desenvolvimento humano.

É autor de dezenas de obras publicadas, entre elas:

*  Gestão Geral de Estoques

*  Manual do Bom Almoxarife

*  Liderança Conquistada

*  O Poder de um Verdadeiro Sorriso

*  Nada Pode Parar Você

*  Saia do Fundo do Poço

*  Antes de Me Tornar Forte

*  O Dia em que Decidi Não Desistir

*  O Lado Humano da Dor

*  Influência Inteligente no Ambiente Corporativo

* O Livro que Vai Mudar o Seu Ano

Na área da memória histórica, dedica-se à preservação da identidade cultural do Norte de Minas por meio de livros, pesquisas e milhares de crônicas sobre o antigo Brejo das Almas, contribuindo para que personagens, fatos e acontecimentos relevantes permaneçam vivos para as futuras gerações.

"João Bawden – O Prefeito que Modernizou o Brejo das Almas" inaugura a coleção Memória Brejeira – História Documentada de Francisco Sá, série que resgata, de forma rigorosa e acessível, a trajetória dos homens e mulheres que contribuíram para a construção da história política, administrativa, social e cultural do município.

Mais do que escrever livros, Enoque Alves Rodrigues dedica sua vida a preservar um patrimônio que não pode ser perdido: a memória de um povo. Seu representa um legado para pesquisadores, estudantes, professores e para todos aqueles que compreendem que conhecer o passado é condição indispensável para construir o futuro.

 SÍNTESE BIOGRÁFICA

JOÃO BAWDEN TEIXEIRA

"Existem homens cuja grandeza não se mede pelos títulos que ocuparam, mas pelas marcas que deixaram na terra onde viveram."

Origens

João Bawden Teixeira nasceu em Mariana, Minas Gerais, na segunda metade do século XIX, em uma das famílias mais influentes da então Província de Minas Gerais.

Era filho do ilustre médico, minerador e homem público Dr. Antônio Teixeira de Sousa Magalhães e de Dona Maria Angelina Bawden, descendente da tradicional família Bawden, ligada à exploração mineral da histórica Mina da Passagem, em Mariana.

Recebeu sólida formação intelectual e moral, em um ambiente familiar onde o estudo, a responsabilidade pública e o compromisso com o desenvolvimento de Minas Gerais eram valores cultivados diariamente.

Desde cedo revelou grande interesse pelas ciências exatas, especialmente pela matemática, pela cartografia e pela engenharia, vocação que definiria sua futura trajetória profissional.

Formação

Ingressou na tradicional Escola de Minas de Ouro Preto, uma das instituições de ensino mais prestigiadas do Brasil no final do século XIX.

Ali recebeu formação técnica de elevado nível, destacando-se como Engenheiro Geógrafo, profissão que lhe proporcionaria intensa atuação na abertura de estradas, levantamentos topográficos e projetos de infraestrutura em diversas regiões mineiras.

Durante sua permanência em Ouro Preto, ampliou seus conhecimentos técnicos e consolidou uma visão moderna sobre administração, planejamento territorial e desenvolvimento regional.

Vida Pública

Antes mesmo de chegar ao Norte de Minas, João Bawden já possuía experiência política.

Registros históricos indicam sua atuação na vida pública marianense, exercendo funções legislativas e participando ativamente da política de sua região.

Essa experiência administrativa e política seria decisiva anos mais tarde, quando assumiria a Prefeitura do antigo Brejo das Almas.

O Engenheiro

Transferiu-se posteriormente para Montes Claros, onde participou da fundação de uma importante empresa de engenharia voltada para a abertura de estradas no Norte de Minas Gerais.

Ao lado de destacados engenheiros e lideranças regionais, colaborou na implantação de centenas de quilômetros de vias de comunicação, contribuindo para integrar economicamente uma vasta região até então marcada pelo isolamento.

Foi durante esses trabalhos de campo que conheceu o pequeno povoado de Brejo das Almas.

O Encontro com o Brejo

Sua chegada ao Brejo das Almas ocorreu de forma casual.

Enquanto realizava levantamentos topográficos para abertura de novas estradas, encantou-se com a simplicidade da população, com a hospitalidade dos moradores e com o enorme potencial de desenvolvimento do município.

O que seria apenas uma breve permanência transformou-se em uma escolha definitiva.

João Bawden decidiu fixar residência na cidade.

Ali encontraria a missão pública que marcaria para sempre sua vida.

A Prefeitura

Em janeiro de 1932, após a saída do médico Dr. Paulo Cerqueira Rodrigues Pereira da administração municipal, João Bawden foi indicado para assumir a Prefeitura do Brejo das Almas.

Inicialmente recebido com reservas por parte de algumas lideranças locais, conquistou rapidamente a confiança da população por meio de uma administração dinâmica, organizada e voltada para o interesse coletivo.

Durante seu governo promoveu importantes melhorias urbanas e rurais, destacando-se a construção do matadouro municipal, o nivelamento de ruas e praças, a recuperação de estradas vicinais, reformas no cemitério, a fiscalização do ensino e diversas ações administrativas que contribuíram para modernizar o município.

O Reconhecimento Popular

Com a realização das eleições constitucionais, João Bawden foi confirmado pelo voto popular no cargo de prefeito.

Seu governo destacou-se pela honestidade, capacidade administrativa e permanente preocupação com o desenvolvimento do Brejo das Almas.

Mesmo após a implantação do Estado Novo, em 1937, permaneceu à frente da Prefeitura, demonstrando o reconhecimento de sua competência administrativa.

Os Últimos Dias

No exercício do mandato, João Bawden sofreu um grave ataque de angina.

Faleceu em 23 de dezembro de 1937, apenas dois dias antes do Natal, causando profunda comoção entre os moradores do município.

Em reconhecimento aos relevantes serviços prestados, a população manifestou o desejo de que fosse sepultado na própria terra que aprendera a amar e que ajudara a transformar.

O Legado

Décadas após sua morte, João Bawden continua presente na memória de Francisco Sá.

Seu nome denomina ruas, praças e logradouros públicos, perpetuando a lembrança de um administrador cuja atuação ultrapassou os limites de seu tempo.

Mais do que um engenheiro ou político, João Bawden tornou-se símbolo de dedicação ao serviço público, planejamento administrativo e compromisso com o desenvolvimento do antigo Brejo das Almas.

Sua história permanece como exemplo de que o verdadeiro legado de um homem público não se mede pelo tempo em que ocupa um cargo, mas pelas transformações permanentes que deixa para sua comunidade.

ABERTURA

EXISTEM CIDADES QUE JAMAIS PODEM ESQUECER

Existem cidades que preservam sua história em monumentos grandiosos, museus cuidadosamente organizados ou arquivos públicos repletos de documentos.

Outras, porém, dependem da memória de seu próprio povo.

O antigo Brejo das Almas pertence a esse segundo grupo.

Durante gerações, sua história foi transmitida de pai para filho, de avô para neto, nas conversas ao redor da mesa, nas calçadas das antigas casas, nas varandas das fazendas, nos bancos da praça, nas salas de aula e nas celebrações religiosas. Cada família guardou uma parte dessa memória. Cada morador tornou-se, sem perceber, um pequeno guardião da história da cidade.

Entretanto, o tempo é implacável.

Os documentos envelhecem.

As fotografias desaparecem.

Os jornais tornam-se raridades.

As testemunhas silenciam para sempre.

E, pouco a pouco, acontecimentos que ajudaram a construir a identidade de um povo correm o risco de desaparecer.

Foi exatamente para impedir esse esquecimento que nasceu esta coleção.

Memória Brejeira não é apenas uma reunião de biografias.

É um compromisso com a preservação da história de Francisco Sá.

Cada volume resgatará a trajetória de homens públicos que, em diferentes épocas, assumiram a responsabilidade de conduzir os destinos do antigo Brejo das Almas. Mais do que registrar datas, decretos ou mandatos, procuraremos compreender quem eram esses homens, quais desafios enfrentaram, quais sonhos alimentaram e que marcas deixaram na vida da comunidade.

Abrimos esta coleção com João Bawden Teixeira.

Engenheiro por formação.

Administrador por vocação.

Homem público por convicção.

Mineiro de nascimento.

Brejeiro por escolha.

Ao chegar ao antigo Brejo das Almas, trazia consigo uma sólida formação intelectual, experiência administrativa e o prestígio de uma família tradicional de Minas Gerais. Poderia ter seguido outros caminhos. Poderia ter construído sua carreira em centros mais desenvolvidos e confortáveis.

Escolheu permanecer onde havia trabalho a fazer.

Escolheu servir.

Nos anos em que esteve à frente da Prefeitura, promoveu melhorias que contribuíram para modernizar o município e consolidou uma forma de administrar baseada na honestidade, no planejamento e no compromisso com o bem comum.

Décadas depois de sua morte, seu nome continua presente em ruas, praças e na memória da cidade.

Mas a pergunta permanece.

Quem foi, realmente, João Bawden?

Este livro procura responder a essa pergunta.

Não por meio de lendas.

Não por meio de exaltações.

Mas por meio da pesquisa histórica, da documentação disponível e da memória preservada pela comunidade.

Porque um povo que conhece sua história fortalece sua identidade.

E uma cidade que honra seus construtores jamais permitirá que eles sejam esquecidos.

Se, ao concluir estas páginas, o leitor sentir que caminhou pelas antigas ruas do Brejo das Almas, conheceu seus personagens, compreendeu seus desafios e descobriu um pouco mais sobre a formação de Francisco Sá, então este trabalho terá cumprido sua missão.

A memória de uma cidade é o seu bem mais precioso.

Preservá-la é um dever de todos nós.

O Encontro com o Brejo

Foi durante um daqueles intermináveis levantamentos topográficos que o destino resolveu mudar o rumo da vida de João Bawden Teixeira.

Dias seguidos caminhando pelo sertão.

Subindo serras.

Descendo grotas.

Atravessando córregos.

Abrindo picadas onde, muitas vezes, somente tropeiros e boiadas haviam passado.

O trabalho era duro.

Mas era exatamente isso que um engenheiro fazia naquela época.

Conhecer a terra.

Medi-la.

Entendê-la.

Transformá-la em caminhos.

Conta a tradição que, numa dessas jornadas, quando menos esperava, João Bawden saiu de uma estreita picada aberta no mato e avistou um pequeno povoado.

Não era grande.

Não possuía edifícios imponentes.

Nem ruas largas.

Muito menos o movimento das cidades históricas onde vivera.

Era apenas um agrupamento de casas simples, espalhadas em torno da igreja e da praça principal.

Chamava-se Brejo das Almas.

Foi amor à primeira vista.

O engenheiro, acostumado às montanhas de Mariana e às ladeiras de Ouro Preto, encontrou naquele pequeno recanto do sertão mineiro algo que nenhuma grande cidade poderia oferecer.

Encontrou um povo.

Um povo simples.

Hospitaleiro.

Trabalhador.

Orgulhoso de sua terra.

E foi esse povo que conquistou João Bawden.

Mais tarde, quando perguntavam onde estava morando, respondia com a simplicidade típica dos mineiros:

— Estou de passagem pelo Brejo.

Era apenas uma maneira de falar.

Porque, sem perceber, já havia criado raízes.

A cidade o adotara.

E ele, definitivamente, já havia adotado a cidade.