João Bawden – O
Prefeito que Modernizou o Brejo das Almas
Série:
Prefeitos Brejeiros de Antigamente – Volume I
Coleção:
Memória Brejeira – História Documentada de Francisco Sá
FICHA TÉCNICA
Título:
João Bawden – O Prefeito que Modernizou o Brejo das Almas
Série:
Prefeitos Brejeiros de Antigamente – Volume I
Coleção:
Memória Brejeira – História Documentada de Francisco Sá
Autor:
Enoque Alves Rodrigues
Pesquisa Histórica:
Enoque Alves Rodrigues
Texto e Organização:
Enoque Alves Rodrigues
Projeto Editorial:
Enoque Alves Rodrigues
Projeto Gráfico e Capa:
Enoque Alves Rodrigues
Revisão:
Alcaminos Revisores Gráficos
Formato:
14,8 × 21 cm
Número de páginas:
201
Idioma:
Português
Gênero:
História Regional / Biografia / Memória
1ª Edição:
2026
Local de publicação:
São Paulo – SP
ISBN:
Todos os direitos reservados.
Nenhuma parte desta
publicação poderá ser reproduzida, armazenada ou transmitida por qualquer meio,
eletrônico ou mecânico, sem autorização prévia e por escrito do autor,
excetuadas as citações permitidas pela legislação vigente.
© 2026 – Enoque Alves
Rodrigues
SUMÁRIO
APRESENTAÇÃO
DA OBRA,8 A 11
ACERVOS,
FONTES E DOCUMENTOS PESQUISADOS, 12 A 16
PREFÁCIO, 17
E 18
SINOPSE, 19
E 20
SOBRE O
AUTOR, 21 A 23
SÍNTESE
BIOGRÁFICA DO DR. JOÃO BAWDEN, 24 A 29
ABERTURA:
EXISTEM CIDADES QUE JAMAIS PODEM ESQUECER, 30 A 36
CAPÍTULO I
O BRASIL QUE
ENCONTROU JOÃO BAWDEN, 37 A 53
CAPÍTULO II
A FAMÍLIA
QUE MOLDOU UM HOMEM PÚBLICO, 54 A 59
CAPÍTULO III
A ESCOLA DE
MINAS, 60 A 73
CAPÍTULO IV
O ENGENHEIRO
DAS ESTRADAS, 74 A 88
CAPÍTULO V
O HOMEM QUE
VEIO DE PASSAGEM, 89 A 97
CAPÍTULO VI
O CHAMADO DO
DESTINO, 100 A 106
CAPÍTULO VII
O PRIMEIRO
DIA DE GOVERNO, 107 A 120
CAPÍTULO
VIII
A CIDADE QUE
PRECISAVA SE MODERNIZAR, 121 A 126
CAPÍTULO IX
AS ESTRADAS,
127 A 134
CAPÍTULO X
A EDUCAÇÃO
COMO ALICERCE DO PROGRESSO, 135 A 141
CAPÍTULO XI
O URBANISTA
DO BREJO, 142 A 148
CAPÍTULO XII
O PREFEITO
QUE O BREJO ESCOLHEU, 149 A 151
PRÓLOGO, 152
A 164
CARTA AOS
FUTUROS BREJEIROS, 165 A 170
ÚLTIMA
PÁGINA, 171 A 173
CURIOSIDADE
HISTÓRICA, 174
NOTAS
BIOGRÁFICAS ADICIONAIS:
NOTA 1 - BREJO DAS ALMAS ÀS VÉSPERAS DE UMA
NOVA ERA. NOTA 2 - DAS MINAS IMPERIAIS AO SERTÃO NORTE-MINEIRO, 175 A
188
ÁLBUM
FOTOGRÁFICO, 189 A 193
FICHA
CATALOGRÁFICA DA COLEÇÃO BREJO DAS ALMAS, 194 A 201
APRESENTAÇÃO DA OBRA
Há muito tempo venho pensando em
escrever este livro.
Na verdade, talvez eu o esteja
escrevendo desde menino.
Nasci quando o antigo Brejo das
Almas ainda conservava muito de sua velha alma sertaneja. Cresci ouvindo
histórias contadas nas calçadas, nas varandas das fazendas, nos bancos da praça
e nas rodas de conversa que pareciam nunca ter fim. Naquele tempo, as pessoas
não aprendiam a história da cidade nos livros. Aprendiam ouvindo os mais
velhos.
Foi assim que conheci muitos dos
personagens que marcaram a vida do Brejo.
Uns já haviam partido.
Outros ainda caminhavam
lentamente pelas ruas, trazendo consigo lembranças que nenhum documento
registrava.
Cada conversa revelava um pedaço
da história.
Cada lembrança ajudava a
compreender melhor quem éramos.
Com o passar dos anos, percebi
que aquela geração começava a desaparecer.
Levava consigo um patrimônio
imenso.
A memória do Brejo.
Foi então que compreendi uma
verdade simples.
Se ninguém escrevesse essas
histórias, elas morreriam junto com aqueles que as guardavam.
Nascia ali, talvez sem que eu
percebesse, o compromisso que me acompanharia durante toda a vida.
Pesquisar.
Ouvir.
Comparar documentos.
Consultar jornais antigos.
Visitar arquivos.
Conversar com famílias.
Anotar nomes.
Confirmar datas.
Preservar aquilo que o tempo
insistia em apagar.
Depois de muitos anos de
pesquisa, compreendi que a história de uma cidade não é feita apenas pelos
grandes acontecimentos.
Ela é construída, sobretudo,
pelas pessoas.
Homens e mulheres que dedicaram
parte de suas vidas ao bem comum.
Entre esses homens, poucos
deixaram marcas tão profundas quanto João Bawden.
Engenheiro por formação.
Administrador por vocação.
Mineiro de nascimento.
Brejeiro por escolha.
Ao escrever sua biografia,
descobri que também estava escrevendo a história de uma época.
A história de um município que
aprendia a organizar suas ruas.
A cuidar de suas escolas.
A conservar suas estradas.
A modernizar seus serviços
públicos.
A construir seu futuro.
Este livro nasceu desse encontro
entre memória e pesquisa.
Não pretende transformar ninguém
em herói.
Nem esconder as dificuldades de
seu tempo.
Pretende apenas contar, com
honestidade, como viveu um homem que escolheu dedicar seus melhores anos ao
antigo Brejo das Almas.
Se estas páginas conseguirem
despertar no leitor o mesmo amor que sinto por esta terra, considerarei
plenamente cumprida a missão deste trabalho.
Porque cidades também têm alma.
E a alma de Francisco Sá continua
habitando o velho Brejo das Almas.
ACERVOS, FONTES E DOCUMENTOS PESQUISADOS
A elaboração desta obra
fundamentou-se na pesquisa e no cruzamento de informações provenientes de
diferentes acervos documentais, bibliográficos, iconográficos, jornalísticos e
de memória oral, com o objetivo de preservar a fidelidade histórica e oferecer
ao leitor uma narrativa consistente sobre a vida e a administração do prefeito
João Bawden Teixeira.
Arquivos Públicos e
Instituições de Pesquisa
- Arquivo Público Mineiro – Belo Horizonte, Minas
Gerais.
- Arquivo Histórico da Câmara Municipal de Mariana –
Mariana, Minas Gerais.
- Arquivo Histórico da Universidade Federal de Ouro
Preto (UFOP).
- Arquivo Histórico da Prefeitura Municipal de
Mariana.
- Instituto Histórico e Geográfico de Minas Gerais
(IHGMG).
- Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa – Belo
Horizonte.
- Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.
- Arquivo Nacional.
Acervos Municipais
- Prefeitura Municipal de Francisco Sá.
- Câmara Municipal de Francisco Sá.
- Arquivo Administrativo do Município de Francisco
Sá.
- Cartório de Registro Civil e Tabelionato de
Francisco Sá.
- Paróquia São Gonçalo de Francisco Sá.
- Cemitérios e registros paroquiais do antigo Brejo
das Almas.
Jornais e Periódicos
Consultados
- Liberal Mineiro (Ouro Preto).
- Minas Geraes (Órgão Oficial do Estado).
- Jornais históricos de Mariana.
- Jornais históricos de Montes Claros.
- Revistas do Arquivo Público Mineiro.
- Revistas do Instituto Histórico e Geográfico de
Minas Gerais.
Bibliografia Histórica
Foram consultadas obras relativas
à história de Minas Gerais, da República Velha, da Revolução de 1930, do Estado
Novo, da formação política do Norte de Minas, da engenharia brasileira e da
administração pública municipal.
Fontes Digitais
Também foram consultados bancos
de dados, repositórios universitários, catálogos documentais e bases digitais
de pesquisa histórica, entre eles:
- Repositório Institucional da Universidade Federal
de Juiz de Fora (UFJF), especialmente estudos sobre a história política de
Mariana.
- Sistema Integrado de Acesso do Arquivo Público
Mineiro (SIAAPM), para identificação de documentos e correspondências
relativas a João Bawden Teixeira.
- Acervos históricos vinculados à Universidade
Federal de Ouro Preto e à documentação da antiga Câmara de Mariana.
Fontes Orais
A presente obra também incorpora
informações preservadas pela tradição oral do antigo Brejo das Almas, colhidas
ao longo de décadas de entrevistas e conversas com moradores, descendentes de
famílias tradicionais e estudiosos da história local. Sempre que possível,
essas narrativas foram confrontadas com documentos escritos, respeitando-se a
distinção entre fatos documentalmente comprovados e memórias transmitidas entre
gerações.
Pesquisa do Autor
Grande parte das informações aqui
reunidas resulta de mais de cinco décadas de pesquisas desenvolvidas por Enoque
Alves Rodrigues, por meio da coleta de documentos, fotografias, jornais
antigos, manuscritos, depoimentos, registros familiares e estudos sobre a
formação histórica, política e cultural do antigo Brejo das Almas, atual
Francisco Sá.
Esta obra integra a coleção
Memória Brejeira – História Documentada de Francisco Sá, cujo propósito é
preservar, documentar e difundir a memória histórica do município e de seus
protagonistas para as presentes e futuras gerações.
A história de um povo é
construída não apenas pelos grandes acontecimentos nacionais, mas também pela
atuação daqueles que, em suas comunidades, dedicaram inteligência, trabalho e
espírito público ao bem comum. João Bawden pertence a esse seleto grupo de
homens cuja passagem pela administração municipal deixou marcas profundas e
permanentes.
Neste primeiro volume da série Prefeitos
Brejeiros de Antigamente, Enoque Alves Rodrigues oferece ao leitor um
criterioso resgate histórico da vida e da obra de um administrador cuja
trajetória se confunde com uma das fases mais importantes do desenvolvimento do
antigo Brejo das Almas.
Ao reunir fatos, documentos,
relatos e reflexões, o autor preserva uma memória que poderia se perder com o
tempo, prestando justa homenagem a um homem que transformou desafios em
realizações e conquistou o respeito da população por sua integridade e capacidade
administrativa.
Mais do que recordar um prefeito,
esta obra convida o leitor a compreender a formação histórica de Francisco Sá e
a valorizar aqueles que contribuíram para a construção de sua identidade.
Eliomar de Oliveira Cavalcante
JOÃO BAWDEN – O Prefeito
que Transformou o Brejo das Almas é o primeiro volume da série Prefeitos
Brejeiros de Antigamente, dedicada a preservar a memória dos homens públicos
que contribuíram para a construção da história de Francisco Sá, antigo Brejo
das Almas.
Muito além de uma simples
biografia, esta obra resgata a trajetória de um engenheiro, político e
administrador que encontrou no pequeno município sertanejo a missão de sua
vida. Oriundo de uma tradicional família mineira, João Bawden chegou ao Brejo
quase por acaso, durante trabalhos de engenharia, mas ali permaneceu por amor à
terra e ao seu povo.
Em poucos anos promoveu
importantes transformações urbanas, reorganizou a administração municipal,
investiu na infraestrutura, valorizou a educação e conquistou o respeito da
população pela honestidade, simplicidade e dedicação ao serviço público.
Baseado em pesquisas, documentos
e relatos históricos, Enoque Alves Rodrigues reconstrói a vida de um dos mais
importantes prefeitos da história do município, oferecendo às novas gerações um
valioso testemunho sobre a formação política e social do Norte de Minas.
Uma leitura indispensável para
todos aqueles que desejam conhecer as raízes de Francisco Sá e compreender como
homens de visão ajudaram a escrever a história do antigo Brejo das Almas.
Enoque Alves Rodrigues é
escritor, pesquisador, cronista e memorialista brasileiro, dedicado há mais de
cinco décadas ao estudo da história, da cultura e da formação social do antigo
Brejo das Almas, atual Francisco Sá, no Norte de Minas Gerais.
Natural de Francisco Sá,
desenvolveu ao longo da vida um profundo trabalho de pesquisa documental e de
preservação da memória regional, reunindo informações provenientes de arquivos
públicos, jornais antigos, documentos históricos, fotografias, depoimentos e
tradições orais. Seu compromisso com a verdade histórica e com a valorização
das raízes brejeiras transformou-o em uma das principais referências na
documentação da história do município.
Além de pesquisador, construiu
uma sólida carreira profissional nas áreas de engenharia, logística,
administração de materiais e gestão de estoques, experiência que serviu de base
para diversos livros técnicos e de desenvolvimento humano.
É autor de dezenas de obras
publicadas, entre elas:
* Gestão Geral de Estoques
*
Manual do Bom Almoxarife
*
Liderança Conquistada
*
O Poder de um Verdadeiro Sorriso
*
Nada Pode Parar Você
*
Saia do Fundo do Poço
*
Antes de Me Tornar Forte
*
O Dia em que Decidi Não Desistir
*
O Lado Humano da Dor
*
Influência Inteligente no Ambiente Corporativo
* O Livro que Vai Mudar o Seu Ano
Na área da memória histórica,
dedica-se à preservação da identidade cultural do Norte de Minas por meio de
livros, pesquisas e milhares de crônicas sobre o antigo Brejo das Almas,
contribuindo para que personagens, fatos e acontecimentos relevantes permaneçam
vivos para as futuras gerações.
"João Bawden – O Prefeito
que Modernizou o Brejo das Almas" inaugura a coleção Memória Brejeira –
História Documentada de Francisco Sá, série que resgata, de forma rigorosa e
acessível, a trajetória dos homens e mulheres que contribuíram para a
construção da história política, administrativa, social e cultural do
município.
Mais do que escrever livros,
Enoque Alves Rodrigues dedica sua vida a preservar um patrimônio que não pode
ser perdido: a memória de um povo. Seu representa um legado para pesquisadores,
estudantes, professores e para todos aqueles que compreendem que conhecer o
passado é condição indispensável para construir o futuro.
JOÃO BAWDEN TEIXEIRA
"Existem homens cuja
grandeza não se mede pelos títulos que ocuparam, mas pelas marcas que deixaram
na terra onde viveram."
Origens
João Bawden Teixeira nasceu em
Mariana, Minas Gerais, na segunda metade do século XIX, em uma das famílias
mais influentes da então Província de Minas Gerais.
Era filho do ilustre médico,
minerador e homem público Dr. Antônio Teixeira de Sousa Magalhães e de Dona
Maria Angelina Bawden, descendente da tradicional família Bawden, ligada à
exploração mineral da histórica Mina da Passagem, em Mariana.
Recebeu sólida formação
intelectual e moral, em um ambiente familiar onde o estudo, a responsabilidade
pública e o compromisso com o desenvolvimento de Minas Gerais eram valores
cultivados diariamente.
Desde cedo revelou grande
interesse pelas ciências exatas, especialmente pela matemática, pela
cartografia e pela engenharia, vocação que definiria sua futura trajetória
profissional.
Formação
Ingressou na tradicional Escola
de Minas de Ouro Preto, uma das instituições de ensino mais prestigiadas do
Brasil no final do século XIX.
Ali recebeu formação técnica de
elevado nível, destacando-se como Engenheiro Geógrafo, profissão que lhe
proporcionaria intensa atuação na abertura de estradas, levantamentos
topográficos e projetos de infraestrutura em diversas regiões mineiras.
Durante sua permanência em Ouro
Preto, ampliou seus conhecimentos técnicos e consolidou uma visão moderna sobre
administração, planejamento territorial e desenvolvimento regional.
Vida Pública
Antes mesmo de chegar ao Norte de
Minas, João Bawden já possuía experiência política.
Registros históricos indicam sua
atuação na vida pública marianense, exercendo funções legislativas e
participando ativamente da política de sua região.
Essa experiência administrativa e
política seria decisiva anos mais tarde, quando assumiria a Prefeitura do
antigo Brejo das Almas.
O Engenheiro
Transferiu-se posteriormente para
Montes Claros, onde participou da fundação de uma importante empresa de
engenharia voltada para a abertura de estradas no Norte de Minas Gerais.
Ao lado de destacados engenheiros
e lideranças regionais, colaborou na implantação de centenas de quilômetros de
vias de comunicação, contribuindo para integrar economicamente uma vasta região
até então marcada pelo isolamento.
Foi durante esses trabalhos de
campo que conheceu o pequeno povoado de Brejo das Almas.
O Encontro com o Brejo
Sua chegada ao Brejo das Almas
ocorreu de forma casual.
Enquanto realizava levantamentos
topográficos para abertura de novas estradas, encantou-se com a simplicidade da
população, com a hospitalidade dos moradores e com o enorme potencial de
desenvolvimento do município.
O que seria apenas uma breve
permanência transformou-se em uma escolha definitiva.
João Bawden decidiu fixar
residência na cidade.
Ali encontraria a missão pública
que marcaria para sempre sua vida.
A Prefeitura
Em janeiro de 1932, após a saída
do médico Dr. Paulo Cerqueira Rodrigues Pereira da administração municipal,
João Bawden foi indicado para assumir a Prefeitura do Brejo das Almas.
Inicialmente recebido com
reservas por parte de algumas lideranças locais, conquistou rapidamente a
confiança da população por meio de uma administração dinâmica, organizada e
voltada para o interesse coletivo.
Durante seu governo promoveu
importantes melhorias urbanas e rurais, destacando-se a construção do matadouro
municipal, o nivelamento de ruas e praças, a recuperação de estradas vicinais,
reformas no cemitério, a fiscalização do ensino e diversas ações administrativas
que contribuíram para modernizar o município.
O Reconhecimento Popular
Com a realização das eleições
constitucionais, João Bawden foi confirmado pelo voto popular no cargo de
prefeito.
Seu governo destacou-se pela
honestidade, capacidade administrativa e permanente preocupação com o
desenvolvimento do Brejo das Almas.
Mesmo após a implantação do
Estado Novo, em 1937, permaneceu à frente da Prefeitura, demonstrando o
reconhecimento de sua competência administrativa.
Os Últimos Dias
No exercício do mandato, João
Bawden sofreu um grave ataque de angina.
Faleceu em 23 de dezembro de
1937, apenas dois dias antes do Natal, causando profunda comoção entre os
moradores do município.
Em reconhecimento aos relevantes
serviços prestados, a população manifestou o desejo de que fosse sepultado na
própria terra que aprendera a amar e que ajudara a transformar.
O Legado
Décadas após sua morte, João
Bawden continua presente na memória de Francisco Sá.
Seu nome denomina ruas, praças e
logradouros públicos, perpetuando a lembrança de um administrador cuja atuação
ultrapassou os limites de seu tempo.
Mais do que um engenheiro ou
político, João Bawden tornou-se símbolo de dedicação ao serviço público,
planejamento administrativo e compromisso com o desenvolvimento do antigo Brejo
das Almas.
Sua história permanece como
exemplo de que o verdadeiro legado de um homem público não se mede pelo tempo
em que ocupa um cargo, mas pelas transformações permanentes que deixa para sua
comunidade.
ABERTURA
EXISTEM CIDADES QUE JAMAIS
PODEM ESQUECER
Existem cidades que preservam sua
história em monumentos grandiosos, museus cuidadosamente organizados ou
arquivos públicos repletos de documentos.
Outras, porém, dependem da
memória de seu próprio povo.
O antigo Brejo das Almas pertence
a esse segundo grupo.
Durante gerações, sua história
foi transmitida de pai para filho, de avô para neto, nas conversas ao redor da
mesa, nas calçadas das antigas casas, nas varandas das fazendas, nos bancos da
praça, nas salas de aula e nas celebrações religiosas. Cada família guardou uma
parte dessa memória. Cada morador tornou-se, sem perceber, um pequeno guardião
da história da cidade.
Entretanto, o tempo é implacável.
Os documentos envelhecem.
As fotografias desaparecem.
Os jornais tornam-se raridades.
As testemunhas silenciam para
sempre.
E, pouco a pouco, acontecimentos
que ajudaram a construir a identidade de um povo correm o risco de desaparecer.
Foi exatamente para impedir esse
esquecimento que nasceu esta coleção.
Memória Brejeira não é
apenas uma reunião de biografias.
É um compromisso com a
preservação da história de Francisco Sá.
Cada volume resgatará a
trajetória de homens públicos que, em diferentes épocas, assumiram a
responsabilidade de conduzir os destinos do antigo Brejo das Almas. Mais do que
registrar datas, decretos ou mandatos, procuraremos compreender quem eram esses
homens, quais desafios enfrentaram, quais sonhos alimentaram e que marcas
deixaram na vida da comunidade.
Abrimos esta coleção com João
Bawden Teixeira.
Engenheiro por formação.
Administrador por vocação.
Homem público por convicção.
Mineiro de nascimento.
Brejeiro por escolha.
Ao chegar ao antigo Brejo das
Almas, trazia consigo uma sólida formação intelectual, experiência
administrativa e o prestígio de uma família tradicional de Minas Gerais.
Poderia ter seguido outros caminhos. Poderia ter construído sua carreira em
centros mais desenvolvidos e confortáveis.
Escolheu permanecer onde havia
trabalho a fazer.
Escolheu servir.
Nos anos em que esteve à frente
da Prefeitura, promoveu melhorias que contribuíram para modernizar o município
e consolidou uma forma de administrar baseada na honestidade, no planejamento e
no compromisso com o bem comum.
Décadas depois de sua morte, seu
nome continua presente em ruas, praças e na memória da cidade.
Mas a pergunta permanece.
Quem foi, realmente, João Bawden?
Este livro procura responder a
essa pergunta.
Não por meio de lendas.
Não por meio de exaltações.
Mas por meio da pesquisa
histórica, da documentação disponível e da memória preservada pela comunidade.
Porque um povo que conhece sua
história fortalece sua identidade.
E uma cidade que honra seus
construtores jamais permitirá que eles sejam esquecidos.
Se, ao concluir estas páginas, o
leitor sentir que caminhou pelas antigas ruas do Brejo das Almas, conheceu seus
personagens, compreendeu seus desafios e descobriu um pouco mais sobre a
formação de Francisco Sá, então este trabalho terá cumprido sua missão.
A memória de uma cidade é o seu
bem mais precioso.
Preservá-la é um dever de todos
nós.
O Encontro com o Brejo
Foi durante um daqueles
intermináveis levantamentos topográficos que o destino resolveu mudar o rumo da
vida de João Bawden Teixeira.
Dias seguidos caminhando pelo
sertão.
Subindo serras.
Descendo grotas.
Atravessando córregos.
Abrindo picadas onde, muitas
vezes, somente tropeiros e boiadas haviam passado.
O trabalho era duro.
Mas era exatamente isso que um
engenheiro fazia naquela época.
Conhecer a terra.
Medi-la.
Entendê-la.
Transformá-la em caminhos.
Conta a tradição que, numa dessas
jornadas, quando menos esperava, João Bawden saiu de uma estreita picada aberta
no mato e avistou um pequeno povoado.
Não era grande.
Não possuía edifícios imponentes.
Nem ruas largas.
Muito menos o movimento das
cidades históricas onde vivera.
Era apenas um agrupamento de
casas simples, espalhadas em torno da igreja e da praça principal.
Chamava-se Brejo das Almas.
Foi amor à primeira vista.
O engenheiro, acostumado às
montanhas de Mariana e às ladeiras de Ouro Preto, encontrou naquele pequeno
recanto do sertão mineiro algo que nenhuma grande cidade poderia oferecer.
Encontrou um povo.
Um povo simples.
Hospitaleiro.
Trabalhador.
Orgulhoso de sua terra.
E foi esse povo que conquistou
João Bawden.
Mais tarde, quando perguntavam
onde estava morando, respondia com a simplicidade típica dos mineiros:
— Estou de passagem pelo Brejo.
Era apenas uma maneira de falar.
Porque, sem perceber, já havia
criado raízes.
A cidade o adotara.
E ele, definitivamente, já havia
adotado a cidade.
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